sexta-feira, 8 de abril de 2011


Um comentário:

  1. PRESENÇA

    É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
    teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
    das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
    É preciso que a tua ausência trescale
    sutilmente, no ar, a trevo machucado,
    as folhas de alecrim desde há muito guardadas
    não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
    Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
    e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
    É preciso a saudade para eu sentir
    como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
    Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
    que nunca te pareces com o teu retrato...
    E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.
    Mário Quintana

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